Recomendo
Em seu blog, Hilton Himmler apresenta dez razões para não ter um blog.

Melhor cartum que já li na vida.
Em seu blog, Hilton Himmler apresenta dez razões para não ter um blog.

Melhor cartum que já li na vida.
Ninguém chamou atenção para isto, mas, ainda que apenas remota, existe a possibilidade de, numa mesma edição do Campeonato Brasileiro, o clube recém promovido botar a faixa e o atual campeão ser relegado à série B.
“Quero que o Olímpico Monumental se modernize, tenha assentos numerados, vire um centro de lazer, como a Arena da Baixada, por exemplo. O clube só tem a ganhar com esse tipo de progresso. Mas não a qualquer custo.”
Ao comentar a possível mudança de endereço do Boca Juniors, que cogita sair de La Boca e aposentar a Bombonera, o Carta na Manga tocou em um tema que há muito me interessa: a modernização dos estádios e suas implicações. Não é fácil abordar o assunto. Não raro, o tema é tratado sob o viés de apenas uma de suas múltiplas instâncias, normalmente a mercadológica. Mesmo assim, sobrepondo a questão econômica a todas as outras, o tema rende.
De tudo o que li sobre o assunto, incrivelmente o melhor é, longe, um trecho do romance Fever Pitch, de Nick Hornby. Mesmo que deva ser considerada a diferença entre as realidades inglesa e brasileira, um paralelo é claramente possível de ser feito. Abaixo, pinço um trecho do livro que trata com maestria do tema. Recomendo a leitura do original, sem a interferência da minha tradução livre, das páginas 67 a 70.
“Ainda mais triste, no entanto, é a maneira com que o Arsenal escolheu remodelar o estádio. Paguei 25 centavos de libra para assistir ao jogo do Ipswich [em março de 1973]; a nova fórmula administrativa do Arsenal faz com que, em 1993, a entrada para a mesma Geral de Highbury custasse um mínimo de 1.100 libras mais o preço do ingresso, e, mesmo considerando a inflação, isso soa um tanto exorbitante pra mim. Um plano de remodelação financeira faz sentido para o clube, mas é inconcebível que o futebol em Highbury nunca mais seja o mesmo.
Os grandes clubes parecem ter se cansado da sua base de torcedores, e, por um lado, quem pode culpá-los? Jovens pobres e homens de classe-média baixa trazem consigo uma complicada e muitas vezes aflitiva gama de problemas; diretores e cartolas podem argumentar que eles tiveram a sua chance e a jogaram fora, e que as famílias de classe-média – o novo público alvo – não irá apenas comportar-se, mas pagar muito mais por isso.
Este argumento ignora a questões centrais sobre responsabilidade, justiça e se os clubes de futebol têm um papel a cumprir nas comunidades locais. Mas mesmo sem esses problemas, me parece que existe um grande defeito nesse raciocínio. (…) a menos que se esteja em meio a uma torcida como a da Geral de Highbury, se está confiando aos outros a geração daquela atmosfera do jogo; e a atmosfera é um dos ingredientes crucieis do futebol enquanto experiência. Esses grandes espaços da torcida são tão vitais aos clubes quanto os seus jogadores, não apenas porque os torcedores que a freqüentam são fervorosos no apoio ao time, não apenas porque eles sustentam o clube com grandes somas de dinheiro (embora estes não sejam fatores sem importância), mas porque sem eles ninguém iria fazer questão de ir ao estádio.
O Arsenal e o Manchester United e todos os outros estão sob a impressão de que as pessoas pagam para ver o Paul Merson e o Ryan Giggs, e é claro que eles pagam. Mas muitos deles – as pessoas nas cadeiras de 20 libras e os caras nos camarotes - também pagam pra ver a torcida vendo o Paul Merson (ou ouvir à torcida gritando e cantando pra ele). Quem iria comprar um camarote se o estádio fosse cheio de executivos? Os clubes vendem hoje os camarotes sobre as arquibancadas de onde a atmosfera vem de graça, o que significa que a torcida gera tanto lucro quanto qualquer jogador do time. Mas quem vai fazer barulho agora? Os garotinhos abastados, seus papais e mamães continuarão vindo se eles mesmos tiverem que gritar e criar todo aquele clima? Ou eles virão e então se sentirão enganados? Porque, na verdade, os clubes venderam ingressos para um show em que a atração principal foi removida para dar lugar a eles.
Mais uma coisa a respeito do tipo de audiência que o futebol decidiu que queria para si: os clubes agora terão que garantir que são bons, que não terão anos fracos, porque a nova massa não tolerará o fracasso. Este não é o tipo de gente que virá te ver jogar no inverno quando você é décimo primeiro no Campeonato e já foi eliminado das outras Copas. Por que deveriam? Eles têm muitas outras coisas para fazer.”
Irreparável.
Lucas, trinco-médio gremista, será vendido ainda este ano. Isto é um fato irreversível, embora ainda não oficialmente confirmado. No entanto, a saída do atleta do Olímpico ainda em 2006 não só é contornável como sua confirmação configura total incompetência administrativa.
Lucas está sendo contratado pelo poderoso Atlético de Madri. Mas quem esteve em Porto Alegre no comando das negociações não foi seu presidente, seu diretor de futebol ou mesmo um alto funcionário da confiança da direção madrilenha. Quem comandou a contratação de Lucas foi Luís Pereira, técnico do time B do Atlético. Disse ele: – É um garoto "prometedor".
Prometedor
Lucas não está sendo contratado para agora. Ele é uma aposta do Atlético para depois. Luís Pereira, mesmo antes da confirmação do negócio, deixou claro que é interessante para o clube espanhol que o atleta amadureça por aqui, jogando uma Libertadores, já que ainda não está pronto para assumir a titularidade no alvi-rubro.
Lucas só não joga a Libertadores se a atual direção tricolor não quiser.
Alguém se deu conta de que, desde que Plutão deixou de ser planeta, o Grêmio segue embalado no Brasileirão? Até agora, essa é a explicação mais razoável que encontrei para tamanha campanha. Ainda assim, sigo desconfiado, embora já não acredite mais no rebaixamento do nosso glorioso tricolor. No entanto, se o Grêmio não for derrotado no Serra Dourada, então passarei a acreditar no contrário: foi por causa da inacreditável campanha gremista que Plutão abdicou de sua condição histórica de planeta.