3 horas de cobertura e nenhuma informação confirmada
Impressionante a cobertura da imprensa ao caso do último teco-teco que deu de frente num prédio em Manhattan. Durante a tarde inteira, as emissoras não pararam de dar informações desencontradas a todo instante, sem absolutamente nenhum critério. Ao ponto da apresentadora da CNN chamar um repórter ao vivo da frente do prédio atingido em Nova York e, 15 segundos depois, cortar de volta para o estúdio pedindo desculpas e que o telespectador ignorasse aquelas informações. Fora a cretinisse de ficar passando as imagens gravadas do prédio pegando fogo em loop, ad infinitum, não apenas sem avisar que se tratava de vídeo-tape da cena, mas ainda deixando deliberadamente a tarja gigantesca LIVE.
Entre os loops, lapsos do switch deixavam ver imagens do prédio chamuscado, apenas com alguma fumaça, deixando claro que o incêndio havia sido apagado já há algum tempo. Em seguida entrou um correspondente de Washington narrando as manobras militares de centenas de caças americanos que estavam se deslocando para diversas cidades, em alerta máximo, e só dali há uns 10 minutos, pra quem prestou muita atenção nele e ignorou as manchetes, foi dito que se tratava de programa padrão de treinamento.
Atentado terrorista. Acidente. Helicóptero. Avião comercial. Teco-teco. Ação coordenada pelo terror em várias cidades americanas. Risco iminente. Tudo isso junto, disparado aleatoriamente sem nenhuma responsabilidade. Até que viesse uma nova chamada em seguida, dizendo que novas informações recebidas acabam de dizer exatamente o contrário. O mais interessante é notar que, a exemplo do que aconteceu na cobertura da Copa do Mundo, os repórteres que cobriam os eventos in loco eram, invariavelmente, os piores informados e os últimos a receberem qualquer notícia.


