No final de 2005, junto com alguns amigos, eu tentava explicar para um americano como eram as coisas no Brasil. Ao descrever as primeiras diferenças que ele notaria numa cidade como Porto Alegre em relação aonde estávamos, Amsterdã, citei a inexistência, na prática, de casas ou prédios de classe média pra cima sem murou ou grades, e um número assombroso de locais que já utilizavam a cerca elétrica como recurso de segurança.
Obviamente, o cara ficou chocado e achou que era mentira.
Meus compatriotas, acometidos por aquele patriotismo que surge sabe-se lá de onde quando estamos fora do nosso país, disseram que eu estava mentindo, exagerando, pintando um retrato pessimista e ficcional do Brasil, que as cercas elétricas eram coisas raríssimas, etc.
POIS BEM.
Atualmente, quem ouve o programa Sala de Redação no rádio pode conferir o comercial da empresa de segurança Rudder, que começa mais ou menos assim:
"Você acha que está seguro apenas com muros, grades e cercas elétricas?"
Aquela história de que os bandidos estão soltos e nós estamos presos se torna cada dia mais verdadeira por aqui.
Muro, grade, cerca elétrica e uma guarita com um guarda na espreita. Uma prisão? Não, a minha casa.
Não consigo lembrar que novo Produto de Segurança a Rudder vende no seu comercial. Mas posso imaginar coisas como uma bola de ferro de 4 toneladas para prender no pé e evitar ser levado por seqüestradores, construções fortificadas com placas de aço para evitar a escavação de túneis e, para dormir com bastante segurança, uma solitária sem janelas.