1ª SODA - Sob o Céu de Joinville

Nada melhor do que um documentário em curta-metragem para preencher os 15 minutos finais do horário de almoço. E foi nestas circunstâncias que conferi Sob o Céu de Joinville, de Rodrigo Falk Brum, quarto filme desta primeira Semana Oficial dos Documentários Aleatórios.

A proposta é das mais interessantes: apenas imagens (sem captação de som ambiente) e música instrumental. A combinação por vezes funciona bem, principalmente nos takes acelerados de máquinas. Mas em outros momentos essa mescla simplesmente não funciona.

A trilha original lembra Explosion in the Sky em vários momentos, porém sem nunca chegar a um ápice. Lá pela metade, no entanto, uns violinos de gosto duvidoso quase põem tudo a perder. A combinação destas partes mais infelizes da música com algumas escolhas no meu entender erradas do diretor fazem alguns trechos de Sob o Céu de Joinville parecerem ora comercial de margarina, ora filme institucional da cidade.

O diretor quase se redime nos 5 minutos finais, quando resolve mostrar os contrastes da cidade, e ao invés de se esforçar para parecer grandioso, se detém nos detalhes. E é nos detalhes mínimos que o filme consegue se conectar com o espectador, mostrando um guri de pé descalço ao invés de uma torre de concreto e vidro em contra-plongé.

Fiquei pensando que a experiência ficaria bem mais interessante se o filme fosse realmente mudo, projetado num cinema, e com uma banda executando a trilha ao vivo. Mas claro, divagação absurda.

O filme está longe de ser uma obra-prima, mas é uma iniciativa interessante de um diretor bem jovem que por certo soube tirar proveito dessa nova vontade de Joinville de virar um "pólo cinematográfico do Brasil".


Em Tempo

Ontem, meu amigo Antenor Savoldi veio perguntar o que diabos é esta 1ª SODA - Semana Oficial dos Documentários Aleatórios. Algum evento do qual ele estaria por fora?

Sim, exatamente. A SODA é um evento que não acontece sempre, por motivo de disponibilidade, mas acontece em qualquer lugar, graças ao Deus da Internet. Esta primeira edição está ocorrendo no meu quarto, mais especificamente no meu computador. Por isso ele está totalmente por fora.

Mas a dúvida de Savoldi me fez refletir: quantas pessoas por esse mundo a fora não estariam dispostas a se juntar a mim nessa iniciativa inconseqüente de passar uma semana assistindo ao máximo de documentários que for possível?

Como sou otimista, já adianto que pretendo estender a próxima SODA a ambientes bem maiores, que permitam que outras pessoas desfrutem junto comigo deste gênero ignorado por todas as pessoas que associam a palavra documentário a algum jargão jurídico.

Se tudo der certo, já a próxima edição acontecerá em frente a uma televisão.

Caso a evolução continue e este tipo de aparelho continue existindo até lá, poderá posteriormente ser realizada em um Home Theatre.

Quiçá, com muita sorte, um dia chegaremos aos cinemas, se estes também continuarem existindo até lá.



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