Mas que belíssimo filme é este Janela da Alma, quinta produção conferida na primeira Semana Oficial dos Documantários Aleatórios. Muito diferente, muito original, muito visual.
O argumento de João Jardim é tentar decifrar o que vêem aqueles que não enxergam ou enxergam com grandes limitações. Depoimentos de gente como Wim Wenders, José Saramago, Hermeto Paschoal, entre muitas outras grandes figuras, cada um dando relatos bastante pessoais sobre sua experiência com a visão, a visão no mais amplo dos sentidos.
Walter Carvalho, o maior fotógrafo brasileiro de cinema, faz uma mágica absurda. Sua câmera consegue estabelecer um diálogo quase inacreditável com as sensações descritas pelos entrevistados, formando borrões, carregando nas cores, mostrando algumas coisas tão de perto que acabam virando uma coisa outra, parafraseando em imagem o que Saramago diz com "para ver o todo, há que se dar a volta".
Destaque também para a trilha sonora, que se encaixa tão bem no filme que às vezes esquecemos que ela está lá, como deve ser. Impressionante e belíssimo.