Jornalismo premonitório
Ontem, na coletiva de imprensa de Pedro Juan Gutiérrez e Fabrício Carpinejar que antecedeu às suas conferências no Fronteiras do Pensamento, uma situação surreal:
Um jornalista do Segundo Caderno da Zero Hora pediu aos dois escritores que fizessem um breve resumo sobre o que falariam mais tarde naquela noite. No que Gutiérrez se negou a fazê-lo e sugeriu que ele fosse assistir à conferência, o repórter rebateu:
"Eu vou assistir, e com o maior prazer, mas acontece que eu tenho que fechar a matéria pro jornal antes do evento"
Claro que o jornalista não tem culpa alguma se a ZH não leva o evento da Copesul/Braskem a sério (deveria, eles anunciam pra caramba por lá), mas foi um comentário um tanto ingênuo.
Depois, me coloquei no lugar do cara e fiquei pensando o que faria se me visse colocado nessa sinuca desgraçada. Meio difícil, né?
Mas vâmo que vâmo, só esperando que as demais editorias do jornal mais importante do Bovinão (c) não sejam também adeptas do jornalismo premonitório.
Como fruto de uma manhã inebriante de sábado de puro estudo, me vejo absorvido pela completa superioridade do grafite em relação à tinta, de uma boa lapiseira sobre qualquer caneta de luxo ou pena de cisne.

