Manual do tremendo miserável de uma figa
Isto me incomoda há algum tempo, mas só agora lembrei de reclamar: por que diabos agora toda e qualquer porcaria acha que deve faturar com publicidade, e que isso vai ser a melhor coisa do mundo, trará apenas benefícios? É a coisa mais imbecil que já vi.
Exemplo: é como se eu, que uso este espaço recreativamente e tenho não muito mais que meia-dúzia de visitantes diários, atrolhasse o blog de banners, no topo, no meio do post, no menu lateral, obrigando o leitor a aturar um visual horroroso e confuso, tudo pra ganhar uns seis dólares ao fim de um ano. Certamente eu ficaria feliz em pagar 20% de uma conta de luz com grana proveniente de um ano blogando, mas nem mesmo tamanha fortuna valeria a antipatia do público.
Até entendo que gerentes de shoppings centers possam achar super legal encher o recinto com aquelas tevês LCD piscando porcarias por todo canto e enfiá-las até dentro dos elevadores. Mas as coisas têm um certo limite. E, pra mim, ele foi estrapolado há muito e ninguém fez muita questão de notar.
Lembro que fiquei meio chocado quando, há alguns meses, levei minha consorte por ocasião do seu aniversário ao restaurante Sharin, aqui de Porto Alegre, e nem mesmo o fato de pagar nem vos digo quantos reais por cada prato nos livrou de um banner horroroso em cima da porta e uma daquelas tevês LCD perto do bar. A questão é que o Sharin não é exatamente um boteco. Ele se pretende um lugar bacanão.
Será que o dono do lugar jamais pensou no fato de que colocar publicidade em um restaurante metido é uma coisa muito chinelona?
Pra mim, é o equivalente a cobrar um real para ir ao banheiro, ou 50 centavos pela rodela de limão e três cubos de gelo no refrigerante. Sacam o ovo extra nas tabelas dos trailers de xis? Pois é, ele é tarifado justamente porque é num trailer de xis.
O mesmo acontece naquele Tehama, restaurante de comida pseudo-mexicana na Nilo Peçanha. Quando fui lá, me senti em um site pornô, de tanta propaganda à minha volta. Infelizmente, ao contrário destes, o restaurante não era de graça, nem barato. Bem longe disso.
Não quero fazer aqui as vezes daqueles chatos anti-publicidade. Ela existe e ponto. Mas se eu sentar em uma cadeira de ferro, daquelas de abrir, com a pintura da Kaiser, está implícito que eu vou pagar um determinado patamar de preço e esperar um determinado tipo de serviço, bem como se eu abrir um cardápio e ver muitos zeros na coluna da direita, vou achar que o dono do lugar é um tremendo miserável se ficar enchendo as paredes com a logomarca das Casas Bahia ou da Philips.
Não acho que lugares com propaganda deveriam dar descontos ou serem mais baratos. Acho apenas que esses excessos são tão deselegantes quanto não pagar os 10% do serviço porque não é obrigatório.


